Existe alguma diferença no que diz respeito à traição?
Encotrar alguém que nos faça sentir aquele tremorzinho na barriga, arranjar um encontro secreto (ou vários) fazer juras estúpidas de amor no meio de uma fogaz excitação, e querer ver essa pessoa amanhã outra vez, será a mesma coisa que encontrar alguém online, falar sobre o que gosta, o que não gosta, descobrir essa pessoa entre linhas e também fazer juras de amor estúpidas numa webcam, mais uma vez na dita excitação... será igual?
Será mais culpada a minha cara metade porque sai de casa e tem físico contacto com outra pessoa, ou serei eu o culpado porque para encher o meu ego ligo a câmera e me
apaixono online, umas vezes sabendo que nunca encontrarei aquela pessoa e outras até vou tomar o dito "café"
Não será apenas uma questão de ego, a minha cara metade por se sentir desejada por outra pessoa, por, tal como eu, querer voltar a sentir o tremor na barriga e o coração acelerado, não será isso apenas a necessidade que todos nós sentimos de ser amados e desejados?
A minha pergunta é: Será preciso deixar a família, filhos, casa, enfim, para nos sentirmos desejados ou podemos tentar fazer a coisa de maneira a que nem um nem outro fique a saber, para que desta maneira ninguém saia magoado e para que sejamos felizes na medida do possivel?
É sabido que um piropo é um piropo, e quem não gosta? Quando se vive com uma pessoa 5, 12 ou 20 anos, não me parece que haja muitos mais piropos para dar às nossas caras metade. Se houver alguém que nos diga o quão lindos somos (mesmo nós sabendo que somos lindos de morrer, qual pedaço de mau caminho) se alguém nos relembrar, não nos põe isso um sorriso delicioso nos lábios? A mim põe! Posso então concluir que todos os dias peixe frito não é bom, mesmo o peixe sendo saudável, o excesso de óleo estraga tudo.
É certo que se pode fazer o peixe de outras maneiras mas de vez em quando, um bife.... vem mesmo a calhar. Estava-me agora a recordar de como era bom ao princípio, os passeios em todas as folgas, mesmo com pouco dinheiro, os cachorros quentes a meio da noite, o querer mostrar aos amigos o nosso troféu, os fins de tarde a ouvir música maluca que por mais estranha que fosse sempre parecia que tinha sido escrita exclusivamente para nós e a frustração de ver que o tempo passa tão rápido. Agora simplesmente o tempo não passa e a minha cara metade não vai trabalhar para que eu possa ir para à net (ou para o café)...
Na busca incessante de felicidade, acabamos sempre por nos magoar, a nós e a quem nos quer tanto bem. Achamos que a outra parte nem sonha aquilo que andamos a fazer mesmo isso sendo tão óbvio que até o cão abana a cabeça..... Portanto eu nunca traio porque sou eu, apenas tenho necessidade de me sentir mais desejado. Se a outra parte tambem sentir essa necessidade... então será uma parte traidora, porque eu sim, dou toda a atenção necessária e mesmo no meio das minhas noites que quero dormir cedo (sabe Deus porquê) senti desejo pela minha outra metade, mas só eu é que senti esse desejo, mais ninguem!
1 comentário:
É relativamente fácil encontrar pessoas que nos surpreendem e que nos agradam e a quem (com certeza, não fôssemos nós espectaculares!)surpreenderemos e agradaremos. O "difícil" será decidir que não o procuraremos porque temos consciência de que aquilo que temos é bom e não o queremos pôr em risco. Não porque o outro poderá descobrir (é possível que nunca sequer desconfie) mas porque não queremos sentir incerteza quanto ao que sentimos. A brincadeira não fica sempre na categoria de brincadeira... ou pode não ficar. E o risco valerá a pena? E a vida que construímos, os alicerces que levantámos? Mesmo que se parta do pressuposto que amamos a nossa cara metade, que tudo o que fizermos sem ela saber é só nosso, fruto da nossa vaidade ou vontade de sentirmos frio na barriga ou necessidade de sentir desejo no outro, como ficam os sentimentos por essa pessoa com quem partilhamos a vida? Intocáveis? Igualmente fortes e seguros? Pelo que disse logo no início, de ser fácil encontrar pessoas que me possam de alguma forma fascinar ou dar aquilo que nalgum momento da vida não esteja a receber da minha cara metade, opto por não procurar, por não ajudar ou dar azo a que situações se proporcionem e de onde eu já não consiga sair. Mas isto, claro, sou eu e é a minha forma de lidar com a minha relação que (sabe Deus, como tu dizes) conseguiu chegar a este ponto em que acredito que é para a vida toda. Beijinhos e boas decisões!
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